domingo, fevereiro 8

Ilusões...

Ao longo da nossa vida vamo-nos iludindo com as coisas e com as pessoas, fantasiando os nossos desejos de modo a que não possamos ser julgados. Estamos constantemente a ser assediados pelas emoções materiais, artífice das mais belas seduções, mas que nos vão criando equívocos sistemáticos. Este abismo está muitas vezes associado ao coração, que nos acompanha nas ilusões equivocadas, transcendendo a própria matéria.

Todos os dias criamos a ilusão de simplesmente sermos pessoas melhores ou de viver num mundo criado à nossa medida, onde somos nós que ditamos as regras e onde todas as nossas vontades são satifeitas. Os falsos valores invadem-nos e criam-nos a ideia que sem eles não conseguimos viver. Estranha forma esta de nos julgarmos insubstituíveis quando falamos das nossas ilusões.

Sentimo-nos injustiçados e enganados, porque vamos julgando que o Mundo tem que girar em nosso redor. Estas falsas metas e estes falsos desejos fazem com estejamos insatisfeitos e revoltados. A ilusão pode ser vista neste caso como um escape, como uma desculpa para uma realidade que não pretendíamos, mas que está acontecer.

A sinceridade que tanto almejamos pode-se basear nesta aceitação da realidade, deixando de criar ilusões fictícias nesta história longa que é a nossa vida. Bem sei que a vida muitas vezes é madrasta e nos castiga, mas a melhor de contornar o problema é aceitar as coisas com a maior das clarividencias.

Desengane-se aquele que julga que em nenhum momento da sua vida se irá iludir com alguma coisa ou com alguém. Como tantas vezes repito, sonhar é óptimo e irriga-nos o coração, mas devemos criar ilusões o mais realistas quanto possível. Não devemos fugir das situações, nada disso, devemos sim tentar controlar as situações de modo a não nos deixarmos levar. Temos que conseguir perceber o limite das nossas ilusões e quando devemos parar.

É normal que nos acompanhe a sensação de impotência perante algo que não conseguimos controlar. Infelizmente não conseguimos provar e mostrar a nossa realidade a toda a gente, e a vida é isto mesmo. É um jogo de sentimentos que tanto depressa nos faz rir, como que a seguir já nos está fazer chorar.

Quando se fala de ilusões, ninguém é culpado senão nós próprios. Não podemos querer que as pessoas nos vejam com os olhos que desejaríamos, não podemos querer que as pessoas tenham as mesmas vontades que nós, não podemos querer que vejam a mesma realidade que nós. Temos que seguir para um nível seguinte, deixando para trás um monte de expectativas e ilusões criadas inconscientemente pelo nosso cérebro, essa grande fábrica de sonhos.

Normalmente temos um corredor de portas e teimamos em abrir aquela que está fechada, tentando arranjar alguma forma de a conseguirmos abrir, mesmo que saibamos que é uma tarefa quase impossível. Na minha maneira de pensar a vida não faria grande sentido doutro modo, mas tendo sempre a consciência do limite para parar.

Não vale a pena tentar criar a ilusão de que não nos iludimos...



Mojave3 - Some kinda Angel